Junto com as palavras mãe/bebê parece q tem um anexo “consumidor potencial”, e lá estão nossos emails abarrotados de span’s de lojas de roupinhas, brinquedos,fraldinhas, e zilhões de apetrechos com frases do tipo “mamãe que ama seu bebê usa”.
Li recentemente um livro maravilhoso “A Publicidade é um cadáver que nos sorri” do Oliviero Toscani, aquele fotógrafo que mudou a cara das campanhas publicitárias da Benetton, lembra daquela campanha United Colors of Benetton? (se não, digita no Google images e viaje nas fotos, vale a pena conhecer!). Ele colocou o mundo da moda de cabeça pra baixo quando dispensou as pálidas e anoréxicas modelos e passou usar imagens que provocavam a sociedade. Suas peças ilustravam a guerra, a AIDS, as diferenças raciais,o sexo e isso instigou sérias discussões e revolta por muitos países, que chegaram ao ponto de proibir a veiculação. Já no primeiro capítulo chamado de “Aleluia! O Neném faz Xixi Azulzinho!” ele relata o fantasioso mundo asséptico da publicidade infantil, bebês de bumbum gordinho, branquinho, com cores pastéis vendendo uma idéia surreal de felicidade sem cheiro de cocô, até seus xixis eram azulzinhos!
Eu vou contar uma coisa, queria muito ter uma profissão p me orgulhar, mas tô nessa pra questionar!Desde que me apresentaram o que ela era eu já sabia que minha praia era ser "do contra", como pode? Kkk Claro que tem muita coisa bacana, mas tenho pensado: que tipo de “consumidorzinho” estou colocando na sociedade? Em um mundo onde o TER se sobrepõe ao SER, o consumo à cidadania, o título do livro é seguro ao afirmar que a publicidade é um cadáver, pois apesar de vender essas idéias, ela já está há muito morta, morta em termos criativos e morais.
Desde a gravidez nós já somos alvo facinho, facinho...se a gente parar aqui pra fazer uma listinha das coisinhas meigas, fofas e...INÚTEIS q a gente compra e só dpois se dá conta que foi $ jogado no lixo vai faltar espaço...Isso pensando nas pseudoÚTEIS pq nem vamos falar das FÚTEIS, né gente??? Claro que adoro umas coisinhas bacanas, quero meu filho sempre lindo e cheio de estilo e não me privo de umas pecinhas de marcas legais, mas sem abrir mão dos pijaminhas feitos pela biza. O desequilíbrio que cito aqui é aquela necessidade exagerada de TER tudo, deixando que o comércio dite o que é ou não necessário pro filho que é NOSSO e não deles.
Vamos combinar? Uma geração tecnologicamente robótica tem suas vantagens e não quero privar meu filho disso visto que já sabe direitinho como destruir um celular, um note, Tb gosto de jogos e um Playstation não é um “demonho” como muitos dizem, mas incentivar o uso dessa tecnologia sem regras e sem freios, não. Não saber equilibrar o uso delas tem levado muitos pais a procurarem psicólogos por conta da reclusão social dos filhos – que aprendem desde muito cedo as facilidades de ser virtual, do estereótipo e mal sabem se expressar na vida real.
Quero q aprenda a ser individual, ser autêntico, que se divirta com a moda sem depender dela pra se “incluir” na galera dele.Quero que saiba que o “diferente” não é um defeito, e que mesmo que nas propagandas da TV não mostre essas diferenças, ele vai encontrá-las por toda vida, e que não precisa fazer cara de espanto qdo ver alguém deficiente (como seu bizo), já que eles só aparecem nos comerciais em campanhas institucionais (p cumprir tabela).Quero levá-lo um dia à Disney,mas que ele não volte deslumbrado e esnobe achando que o país dele é uma porcaria, não quero que ele tenha esse comportamento que, infelizmente, nosso povo AINDA tem, de lamber as botas dos gringos e achar que tudo que é estrangeiro que chega aqui merece capa de revista. Quero também que ele saiba apreciar a beleza de uma mulher, da gordinha, baixinha, da alta, preta, branca, oriental, e não seja mais um babaca que procura bombadas de voz grossa pra desfilar achando que é o tal.
Na minha opinião, uma forma prática de me proteger e tb minha cria é deixar o lado emocional no último lugar e fazer algumas perguntinhas básicas antes de sair fazendo #alakadascomprasinfantis como: “é útil?” “ele vai usar 5 minutos e vai esquecer q isso existe?” “eu tenho $ p comprar ou to fazendo só p agradar?” e assim, comprar ou não isso ou aquilo.
Acredito na publicidade que vai além do comprar por comprar, acredito no consumo consciente que tem mudado conceitos e colocado no mercado tantas opções legais, brexós com muitas coisas que podem ser reutilizadas pq ainda estão novinhas, acredito que no mesmo baú podem habitar harmonicamente Fisher Price’s e carrinhos de madeira, e que um super herói pode ser legal sem que tenha q estampar desde a cama, as roupas, acessórios, até a cueca –tudosimultaneamente – não quero que ele vire cópia...Pq ele é ÚNICO.
Acredito na publicidade que vai além do comprar por comprar, acredito no consumo consciente que tem mudado conceitos e colocado no mercado tantas opções legais, brexós com muitas coisas que podem ser reutilizadas pq ainda estão novinhas, acredito que no mesmo baú podem habitar harmonicamente Fisher Price’s e carrinhos de madeira, e que um super herói pode ser legal sem que tenha q estampar desde a cama, as roupas, acessórios, até a cueca –tudosimultaneamente – não quero que ele vire cópia...Pq ele é ÚNICO.
UTOPIA? Não sei, mas diga aí o q vc acha que estou no segundo post e tenho ainda muuuuita coisa pra aprender com vocês!
Agradeço ao Toscani, que me mostrou que fazer publicidade é ir além de vender jeans e pullôveres:

